A Pornografia como Simulação
Voltando a realidade.
Desenvolvendo algumas idéias sobre as minhas pinturas, trabalhando de forma conjunta com as minhas pesquisas (estou escrevendo sim, e acho que já é hora de voltar a espalhar essas idéias), percebi que a beleza, ou o grau da mesma, indica de forma plausível o que é erótico, ou pornográfico.
Essa afirmação não inclui cenas que valorizam apenas o coito, o ato sexual em si, nada que estiver relacionado ao contato do pênis, com a vagina, boca, ânus, seios, essas imagens, remetem primeiramente a pornografia, embora não necessariamente apenas a ela.
O grau do belo é proporcional à aceitação. A aceitação é definida pelo gosto do observador? No geral é ele que define se ela é ou não uma imagem erótica, mas o uso de imagens bem acabadas, com cores, formas e conteúdos, definidos de forma clara e simples, define, sim, a maneira como ela é interpretada.
A pornografia pode ser um simulacro, uma realidade que supera a realidade.
Segundo Jean Baudrillard (1929-2007), “A simulação de algo que nunca existiu realmente”.
Pois não existe nada mais fora da realidade, do que as histórias e mitos pornográficos, aonde a mulher parece não menstruar, seu desejo é apenas o sexual, suas atitudes e convicções estão apenas ligadas ao sexo, está sempre pronta para receber sexo, com consentimento ou não. O romance é algo inexistente, o erotismo é apenas o caminho para o sexo.
Mas não posso negar que a realidade sustenta o desejo pornográfico, o erotismo carece de jogadores capazes de fornecerem vitórias, usando esse item a indústria da pornografia deturpa o pornográfico, transforma-o em utensílio, habilita a mulher e o homem como membros complexos de desejos superiores as suas vontades.
Não existe erro ou falha na pornografia, na verdade eu acredito que não existe uma separação viva dos dois, mas o abuso da realidade da pornografia.
Transformaram-na em uma simulação.
Feita exclusivamente para manter o homem e a mulher como indivíduos primitivos, na concepção sexual, não buscando o aproveitamento do ser, mas o desejo do corpo. Hedonismo.