Rudimentar é o Ser Humano

Seja o que for, se o erotismo é a atividade sexual do homem, ela o é na medida em que difere da atividade dos animais. A atividade sexual dos homens não é necessariamente erótica. Ela o é todas as vezes em que não for rudimentar, que não for simplesmente animal. (BATAILLE, 2004, p.46)

Outra diferenciação entre o feio e o belo, que remete de forma singular ao que escrevi ontem e volto a destacar no texto de hoje, que a beleza é uma forte característica daquilo que o espectador chama por erotismo.

O erotismo é considerado como material artístico, quando a ele é atrelado o componente fundamental da beleza que a maioria dos observadores ainda tem como sendo arte. A beleza nesse ponto não é um parâmetro de medida, mas uma herança cultural, baseada no comportamento adquirido, já que estética e crítica, são nomes tão distantes do ensino comum.

Comportamentos herdados, não são comportamentos que vão ao fundo da questão, mas soluções pragmáticas, deixadas pelas raízes culturais que desenvolveram o raciocínio coletivo da moral.

Cabe ao artista demonstrar que a beleza do erotismo esta na certeza da pornografia.

Quando o espectador encontra-se frente a algo que ele define como belo, não por tê-lo definido, mas por assim imaginar ser, seu consciente analisa e julga, a estrutura dessa corrente escapa ao julgamento, pois o julgamento tendencioso discorre mais para o fanatismo, independente do sentido, dessa forma apenas julgar o espectador como entidade incapaz de perceber as nuances do belo e daquilo que ele não possui meios para julgar como sendo feio, ou fora da sua realidade já é uma forma de ser tendencioso.

A pornografia não esconde. O erotismo sim.

Mas em ambos a relação do sexo com a vida esta presente.

O que deturpa a pornografia como meio de expressão é a crescente simulação da realidade, por meio do sexo, como forma de alcançar o prazer do ser.

A instantaneidade do gozo parece ser suficiente para justificar as ações que impelem o casal a praticar atos, da mesma realidade que ele julga.

“A verdadeira maneira de ampliar e multiplicar os desejos é tentar impor-lhes limites” (Sade,? apud BATAILLE, p. 75)

Ao impor qualquer limite o ser transforma-se no seu próprio carrasco, cortando desejos, criando formas de se contradizer, negando sua natureza e desejando aquilo que não pode compreender.

O tabu do sexo transfere para vida a incompreensão da pornografia como arte.

A sociedade apenas aceita a pornografia quando mascarada por elementos eróticos de beleza, luxúria, sonhos e realidade acima de sua compreensão.

Ao transformar a pornografia em um ato acima da realidade, um simulacro, uma “simulação”, o homem transforma o sexo em algo que ele não pode alcançar.

É justamente essa distância que dita o conceito sobre a pornografia.

Como disse Bataille, na citação que introduz esse texto, o homem difere do animal na medida em que pensa o erótico, quando o homem julga a pornografia, como um elemento sexual rudimentar, aonde o coito sexual se assemelha ao animal, ele esta dando poderes ao animal em si, julgando que o animal ainda o é.

A pornografia tem se difundido como representação do rudimentar, destruindo o erótico, que precede a pornografia. A arte pornográfica não é mais uma forma de erotismo, não é mais uma experiência que acumula e soma ao ser, mas ela o esvai, sugando suas forças, transformando-o em animal.

Lutando contra essa forma de decretar rudimentar a arte pornográfica, o artista procura uma forma de erotizar o pornográfico, e deixar a pornografia ser tomada pelo erotismo.

Mas como isso é possível?

2 Respostas para “Rudimentar é o Ser Humano”

  1. costadessouza Diz:

    Muito bom teu blog. O descobri pelas tags do wordpress.
    “A pornografia não esconde. O erotismo sim”

    Vou guardar isso, e as teorias deste post. Adoro desenhar mulheres e freqüentementew me questiono sobre os limites do belo e do vulgar quando as desenho e coloco no blog ou no flickr. Estou cada vez mais aceitando um erotismo abrangente. O limite até a pornografia, quem decide, são os moralistas.

    abraço

  2. É meu caro!
    Quem impõe limites a isso ou aquilo é a sociedade, você mesmo e mais ninguém. Não importa se para o bem ou para o mal.
    Não acredito mais em separações, mas em “teores”.
    Abraço…
    Valeu pela visita!

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